Em memória
Regina Condé Ribeiro, natural de Ponte Nova – Minas Gerais
Nasceu e cresceu na roça, aprendendo a cozinhar aos seis anos. O primeiro prato que essa pequena chef elaborou foi frango ensopado com tomatinhos.
Morou no Rio de Janeiro durante um curto período de tempo, quando meu avô foi um dos operários responsáveis por construir o Estádio do Maracanã.
A culinária sempre esteve presente em sua vida pessoal e profissional, apesar de também ter trabalhado como operária na indústria automobilística, em São Paulo, por volta de 1960, bem como na alimentícia, na mesma década. Também trabalhou como cozinheira profissional e costureira.
A partir de seu casamento, em 1970, dedicou-se integralmente à sua família. Ensinou aos filhos todas as suas habilidades culinárias, de costura, e fomentou neles a criatividade, o seu bom humor, o dinamismo e a engenhosidade na solução de qualquer tipo de problema, além do gosto pela música e pela literatura.
Cantava muito bem, sendo excelente contralto, apesar de nunca ter estudado para isso.
Segue a letra de uma das músicas preferidas de minha mãe, Casinha Branca, dos compositores Gilson, Joran e Marcelo, lançada em 1979 pelo cantor/ compositor Gilson, e regravada por vários artistas ao longo dos anos:
"Eu tenho andado tão sozinho ultimamente
Que nem vejo à minha frente
Nada que me dê prazer
Sinto cada vez mais longe a felicidade
Vendo em minha mocidade
Tanto sonho perecer
Eu queria ter na vida simplesmente
Um lugar de mato verde
Pra plantar e pra colher
Ter uma casinha branca de varanda
Um quintal e uma janela
Para ver o sol nascer
Às vezes saio a caminhar pela cidade
À procura de amizades
Vou seguindo a multidão
Mas eu me retraio olhando em cada rosto
Cada um tem seu mistério
Seu sofrer, sua ilusão"
Essa mulher cheia de fibra e generosidade em incontáveis ocasiões deixou de pensar em si mesma para pensar no próximo!
Como católica e cheia de fé, segue mais uma homenagem com a linda Prece Irlandesa, da qual ela gostava bastante:
"Que a estrada se erga ao encontro do seu caminho
Que o vento esteja sempre às suas costas
Que o sol brilhe quente sobre a sua face
Que a chuva caia suave sobre seus campos
E até que nos encontremos de novo,
Que Deus o guarde na palma da sua mão. Amém."
A saudade que sentimos da nossa mãe e de tudo aquilo que aprendemos com ela, do seu sorriso, da sua voz, da sua sagacidade, parece que nunca vai passar. Mas quando aperta muito e dói no nosso peito, na nossa alma, eu fecho os meus olhos e penso que o legado dela continua em cada um de nós. Portanto, minha mãe, você continua sim a estar conosco e em todo lugar!
"Aqueles que passam por nós não vão sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós." (Antoine de Saint - Exupéry)
Regina, nós te amamos muito, ad aeternum. Filha, filho e marido.